SE O FACEBOOK COMEÇAR A
CENSURAR
CRÍTICAS À COPA, DEVEMOS TODOS
VOLTAR AO ORKUT.
É sério!
Pensem nisso.
quinta-feira, 20 de março de 2014
terça-feira, 18 de março de 2014
CRIMEIA É O SUDETOS DO SR. "ADOLF" PUTIN
JORNAL COMENTADO 181
8:54 – 18.03.2014 – Terça-feira
toNY paCHeco*
“Putin afirma que Crimeia sempre foi e será parte da Rússia”
(site da “Folha de S. Paulo”)
“Crimeia reacende debate sobre soberania”
(“The New York Times”/”A Tarde”)
É mais do que repetido ad nauseam que aquele que não conhece a História tende a repeti-la. É o que acontece na Crimeia neste exato momento. O problema não está na Crimeia, está no fato de que o líder russo Vladimir Putin é um aluno exemplar da escola de Adolf Hitler de anexação de territórios e povos. Em 1938, Hitler entrou na antiga Tchecoslováquia e anexou uma região de fronteira chamada Sudetenland pelos germânicos (os Sudetos), alegando que era “habitada por alemães”. França e Rússia, que tinham tratado de defesa com a Tchecoslováquia nada fizeram e a Inglaterra de então, pelo contrário, ainda facilitou a vida de Hitler prometendo um plebiscito entre os sudetos. Plebiscito que acabou nem acontecendo, pois todos sabiam o resultado: se você só pergunta aos alemães se eles querem fazer parte da Alemanha, o que eles dirão? O mesmo aconteceu domingo passado na Crimeia. É uma região de maioria russa, tem a mais expressiva base naval da Marinha Russa, pela qual, inclusive, a Rússia tinha contrato de aluguel com a Ucrânia. Num território assim, você perguntar se o povo russo local quer fazer parte da Rússia ou da Ucrânia é uma piada.
A Alemanha, o mais forte Estado da União Europeia está calada. Primeiro, porque já fez isso com outros povos no século passado e segundo porque hoje em dia depende DEMAIS do fornecimento de gás da Rússia para a sua indústria e para aquecimento doméstico. Não fez e não fará nada contra a anexação da Crimeia pela Rússia e, no futuro, com a anexação possível de metade da Ucrânia. Lembremos do Pacto Ribbentrop/Molotov que um dia uniu Hitler e Stalin...
Mas o que aproxima Vladimir Putin de Adolf Hitler não é apenas a Crimeia e é aí que se deve estudar a História para ver como os poderes ocidentais atuais são semelhantes aos da Europa dos anos 1930-1940 em sua indiferença ou fraqueza. Putin já anexou, recentemente, territórios da Moldova (antiga Moldávia) e da Geórgia, ambos os países ex-repúblicas da extinta União Soviética. Em 2006, os descendentes de russos na região da Transdiniéstria ou Transnístria (4.163 km² e 51 mil habitantes) decidiram “abandonar” a Moldova e criar uma república própria, logo apoiada por tropas russas. Em 2008, tropas russas invadiram duas regiões da Geórgia para defender “os direitos” à “independência” dos povos da Ossétia do Sul (3.900 km² e 70 mil habitantes) e Abkházia (8.432 km² e 216 mil habitantes) e a Geórgia perdeu, de fato, estes territórios que foram “reconhecidos” como repúblicas “independentes” por Vladimir Putin e mais dois governos pra lá de suspeitos, a Nicarágua e a Venezuela. A Crimeia, portanto, é a quarta aventura russa em territórios que antes viviam sob seu controle (até 1991, quando a União Soviética acabou).
E aí, voltamos à História: se o mundo continuar a ceder à vontade imperial de Vladimir Putin, com certeza a fome dele por territórios não ficará restrita à Crimeia, Transnístria, Abkházia e Ossétia do Sul...
Abaixo, uma brincadeira que pode virar verdade a partir de agora, a "MaloRussia", a anexação do Leste ucraniano pelos russos.
*tony Pacheco é jornalista profissional formado pela UFBA e ex-editor de Política Internacional da “Tribuna da Bahia”.
segunda-feira, 3 de março de 2014
UM CARNAVAL DE CINCO LIVROS
JORNAL COMENTADO 180
03.03.2014 - 10:28 - Segunda-feira
ToNY paCheco*
Tirei este Carnaval 2014 pra começar a leitura de cinco livros e mostro a quem interessar possa depois que vi um post no Facebook no qual Luís Guilherme Pontes Tavares mostrou um restaurante de Arembepe cobrando 90 reais (sim, NOVENTA!) por duas postinhas de peixe: pensei, poxa!, com este dinheiro se compram três livros excelentes que nos darão dias e dias de muito prazer e, depois, o maior prazer de todos, presenteá-los a alguém ou emprestá-los para que sigam o curso da vida dos livros: ESPALHAR A LUZ NAS TREVAS DESTE MUNDO.
Não vou fazer resenha, pois resenha só é bom depois que a gente acaba de ler. Por enquanto, apenas vou mostrar "meus blocos" de Carnaval:
1) "1889", de LAURENTINO GOMES
Laurentino, pra quem acompanha o blog, já teve duas obras-primas comentadas aqui: "1808", sobre a chegada da Família Real Portuguesa ao Brasil e "1822", sobre a "invenção do Brasil", também chamada de "independência". Pelas primeiras (de 418) páginas já lidas dá pra ver que o nosso colega jornalista continua afiadíssimo.
2) "ASSASSINATO DE REPUTAÇÕES", de ROMEU TUMA JUNIOR
Este livro é assombroso, já li 95 das 560 páginas. É uma resposta deste ex-secretário Nacional de Justiça do governo Lula à campanha sórdida que fizeram contra ele e, de quebra, mostra que JÁ ESTAMOS VIVENDO NUM ESTADO POLICIAL. Acho que vou entender o Brasil atual depois de ler esta obra que é um depoimento ao jornalista Claudio Tognolli
3) "MAMÍFEROS DE LUXO", de PITIGRILLI
É a minha dose de HUMOR, que faço sempre questão de ter em minhas listas de leituras. Sem humor a vida é bem pior do que já é, portanto, não se deve abrir mão.
4) "DANIELA & MALU - UMA HISTÓRIA DE AMOR", de DANIELA MERCURY E MALU VERÇOSA
Gosto muito das interpretações de Daniela Mercury e agora resolvi me inteirar do caso de amor dela com a colega jornalista Malu Verçosa. Pelas primeiras páginas lidas (de 194) já estou gostando.
5) "QUANTO MENOS, MELHOR", de LEO BABAUTA
Como psicanalista de meia tigela que sou, nunca abro mão também de ter um livro de auto-ajuda na lista. Este é mais uma tentativa de nos livrar do ESTRESSE DO MUNDO MODERNO. Vamos ver se Babauta consegue fazer isso em 146 páginas. Depois eu conto se vale a pena.
Pra quem tá começando a seguir o blog agora, uma explicação: nunca leio menos de 3 livros ao mesmo tempo. Tento afastar a chatice que é ficar concentrado em apenas um tema. Assim, fico logo ansioso para mudar de livro e depois ansioso para voltar a um e a outro e, assim, os livros ME EMOCIONAM O TEMPO TODO. Pode ser neurose? Claro que pode!!! Mas é uma neurose enriquecedora e eu nunca sou mais o mesmo depois de uma lista dessas.
* tonY Pacheco é jornalista e radialista, formado pela UFBA. Psicanalista formado pela ultraconservadora Sociedade Psicanalítica Ortodoxa do Brasil e cursou Economia nas universidades federais de Juiz de Fora e da Bahia.
03.03.2014 - 10:28 - Segunda-feira
ToNY paCheco*
Tirei este Carnaval 2014 pra começar a leitura de cinco livros e mostro a quem interessar possa depois que vi um post no Facebook no qual Luís Guilherme Pontes Tavares mostrou um restaurante de Arembepe cobrando 90 reais (sim, NOVENTA!) por duas postinhas de peixe: pensei, poxa!, com este dinheiro se compram três livros excelentes que nos darão dias e dias de muito prazer e, depois, o maior prazer de todos, presenteá-los a alguém ou emprestá-los para que sigam o curso da vida dos livros: ESPALHAR A LUZ NAS TREVAS DESTE MUNDO.
Não vou fazer resenha, pois resenha só é bom depois que a gente acaba de ler. Por enquanto, apenas vou mostrar "meus blocos" de Carnaval:
1) "1889", de LAURENTINO GOMES
Laurentino, pra quem acompanha o blog, já teve duas obras-primas comentadas aqui: "1808", sobre a chegada da Família Real Portuguesa ao Brasil e "1822", sobre a "invenção do Brasil", também chamada de "independência". Pelas primeiras (de 418) páginas já lidas dá pra ver que o nosso colega jornalista continua afiadíssimo.
2) "ASSASSINATO DE REPUTAÇÕES", de ROMEU TUMA JUNIOR
Este livro é assombroso, já li 95 das 560 páginas. É uma resposta deste ex-secretário Nacional de Justiça do governo Lula à campanha sórdida que fizeram contra ele e, de quebra, mostra que JÁ ESTAMOS VIVENDO NUM ESTADO POLICIAL. Acho que vou entender o Brasil atual depois de ler esta obra que é um depoimento ao jornalista Claudio Tognolli
3) "MAMÍFEROS DE LUXO", de PITIGRILLI
É a minha dose de HUMOR, que faço sempre questão de ter em minhas listas de leituras. Sem humor a vida é bem pior do que já é, portanto, não se deve abrir mão.
4) "DANIELA & MALU - UMA HISTÓRIA DE AMOR", de DANIELA MERCURY E MALU VERÇOSA
Gosto muito das interpretações de Daniela Mercury e agora resolvi me inteirar do caso de amor dela com a colega jornalista Malu Verçosa. Pelas primeiras páginas lidas (de 194) já estou gostando.
5) "QUANTO MENOS, MELHOR", de LEO BABAUTA
Como psicanalista de meia tigela que sou, nunca abro mão também de ter um livro de auto-ajuda na lista. Este é mais uma tentativa de nos livrar do ESTRESSE DO MUNDO MODERNO. Vamos ver se Babauta consegue fazer isso em 146 páginas. Depois eu conto se vale a pena.
Pra quem tá começando a seguir o blog agora, uma explicação: nunca leio menos de 3 livros ao mesmo tempo. Tento afastar a chatice que é ficar concentrado em apenas um tema. Assim, fico logo ansioso para mudar de livro e depois ansioso para voltar a um e a outro e, assim, os livros ME EMOCIONAM O TEMPO TODO. Pode ser neurose? Claro que pode!!! Mas é uma neurose enriquecedora e eu nunca sou mais o mesmo depois de uma lista dessas.
* tonY Pacheco é jornalista e radialista, formado pela UFBA. Psicanalista formado pela ultraconservadora Sociedade Psicanalítica Ortodoxa do Brasil e cursou Economia nas universidades federais de Juiz de Fora e da Bahia.
quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014
"CORREIO" SE "OFICIALIZA" NA DEFESA DO IPTU. "A TARDE" E "TRIBUNA" PODEM ACORDAR...
JORNAL COMENTADO 179
6:56 - 20.02.2014 - Quinta-feira
toNY PAcheco*
“O outro lado da ADIN do IPTU”
(“Correio”)
Falando direto de Uganda para todo o planeta (sim, porque, pela enésima vez, ligo o computador e a banda larga GVT está fora do ar, embora me custe 182 reais por mês, uma das mais caras do mundo), vejo no jornal que assino um verdadeiro libelo contra a Ação de Inconstitucionalidade (ADIN) que a Ordem dos Advogados do Brasil – Seção Bahia moveu contra a Prefeitura de Salvador por causa do aumento astronômico do IPTU, mas, principalmente, pela majoração descontrolada do valor venal dos imóveis, sob a desculpa de que havia 19 anos que este valor não era atualizado. Se isso fosse verdade, quem deveria estar sendo penalizado pela Prefeitura, com ações de improbidade, prevaricação etc. e tal, seriam os ex-prefeitos que governaram a capital nos últimos 19 anos e não a população. É O ÓBVIO!
Pois é, mas o jornal “Correio” tem assumido a defesa da Prefeitura contra a opinião e os interesses dos seus próprios leitores que não encontram em suas páginas o CONTRADITÓRIO. Quer dizer, lê-se tudo, menos a opinião daqueles que são contrários ao IPTU alto. Em São Paulo , a FIESP conseguiu derrubar o aumento do IPTU e teve consigo os maiores jornais locais, pois que antenados com os anseios dos seus leitores. Aqui, pelo visto, o “Correio” parece disposto a jogar no ralo a LIDERANÇA que com COMPETÊNCIA DOS SEUS JORNALISTAS conseguiu nos últimos anos. Há uns seis anos, suplantou o jornal “A Tarde”, que por décadas foi o campeão de audiência da população, pois “A Tarde” chegava a níveis estratosféricos de preferência, como aos domingos, quando vendia mais de 90% da mídia impressa da capital baiana. O “Correio”, abandonando a “oficialidade” que vinha desde a sua fundação, quando era “A VOZ DO DONO” e amargava índices de leitura baixíssimos, praticamente sem assinaturas pagas, resolveu PROFISSIONALIZAR a sua Redação e quando passou a ser A VOZ DA BAHIA e não mais do dono, bateu as décadas de liderança do jornal “A Tarde” com um projeto moderno e PLURALISTA ao extremo. Mas, desde o ano passado que isso vem mudando. Parece que os donos querem, de novo, que o jornal seja apenas a sua voz. Com certeza, leitores (principalmente assinantes) vão procurar outras fontes de leitura, tal como aconteceu com o jornal líder anterior.
PONTO DE INFLEXÃO
Seria a hora de nos perguntarmos por que “A Tarde” e “Tribuna” não aproveitam a maré OFICIALISTA do “Correio” e não voltam a lutar pela liderança do mercado??? As pautas que o “Correio” não pode mais fazer estão aí, gritando, o que daria a chance de um dos dois jornais tomar a liderança.
Vamos a algumas pautas: 1) a volta do “CHUPA CABRAS”, a “INDÚSTRIA DE MULTAS” da Transalvador de que nos falava o jornalista CRUZ RIOS, diretor de “A Tarde”, derrotando esta verdadeira “SEGUNDA DERRAMA DE DONA MARIA, A LOUCA”. Curiosamente, nem “A Tarde” nem “Tribuna” se interessam pelo assunto, mesmo ele tendo se tornado um verdadeiro imposto oficioso sobre a propriedade de veículos em Salvador, com várias áreas tornadas “INESTACIONÁVEIS” para gerar multas e reboques, com agentes que têm visão de raio ”X” e multam falta de cinto de segurança pra quem usa película nos carros e nem Superman saberia se o motorista está ou não com o cinto e, o mais tragicômico, a colocação de velocidade máxima de 40 km onde antes eram 70 ou 60 o limite, criando ARAPUCAS para que a caixa registradora do órgão de trânsito da Prefeitura não pare de tilintar; 2) o estado calamitoso das escolas municipais, como a de Paripe, tomada por esgotos a céu aberto e ratos, como mostrou o programa “Que Venha o Povo”, da TV Aratu/SBT, na última quarta-feira; 3) as ruas que estão esburacadíssimas, pois o asfalto só está sendo renovado nos grandes corredores e no “Circuito Helena Rubinstein”, que vai da Vitória até a Pituba, passando pela Barra, a menina-dos-olhos da Prefeitura: é como se os outros 90% da cidade NÃO EXISTISSEM; 4) a política dos “PASSEIÕES” da orla soteropolitana, que afasta os pobres (negros e quase-negros?) da beira do mar e a pergunta para um jornalismo realmente investigativo: o quê está por trás da política milionária dos “passeiões”, que na Barra foi orçado em incríveis 57 milhões de reais...
Quer dizer, “A Tarde” e “Tribuna” têm 2 anos e 8 meses para recuperar o mercado de jornais baiano. Vamos ver se agirão empresarialmente como os proprietários do “Correio” já o fizeram há alguns anos, quando passaram de último lugar para líderes ou se vão perder esta JANELA DE OPORTUNIDADE, quando as pautas do “Correio” se tornaram oficiais ou oficiosas.
* Tony Pacheco é jornalista-radialista profissional formado pela UFBA, estudou Economia nas universidades federais de Juiz de Fora e da Bahia e Psicanálise na Sociedade Psicanalítica Ortodoxa do Brasil.
sábado, 1 de fevereiro de 2014
"AMOR À VIDA": MUITO ALÉM DE DOIS HOMENS SE BEIJANDO
JORNAL COMENTADO 178
6:46 - 01.02.2014 - Sábado
tONY pACheco*
"Amor à Vida" mostra que pais podem criar filhos-monstros
(na Rede Globo, ontem e hoje, 21 horas)
O beijo na boca entre dois homens na novela "Amor à Vida", sem dúvida é um marco na capacidade de inspirar tolerância que uma obra de arte pode ter, mas para lá do simbolismo sociológico e antropológico, a mensagem fundamental da novela gira em torno da CAPACIDADE DE REDENÇÃO das personagens principais, vividas pelo ator Mateus Solano (o "Félix") e "Dr. César", o médico pai de "Félix", vivida pelo co-protagonista Antonio Fagundes. A relação entre os dois também deixa uma mensagem clara: BOA PARTE DOS MONSTROS DO MUNDO SÃO CONSTRUÍDOS PELOS PAIS DENTRO DE CASA.
Não é preciso ser freudiano (Sigmund Freud, "Pai da Psicanálise") para entender que se os pais não dão amor, atenção, inspiração e uma base sólida aos filhos, elevando sua auto-estima, os filhos com certeza não terão forças para enfrentar as dores do mundo. Muitas correntes da Psicologia, da Psiquiatria e da Psicanálise quiseram desmontar a premissa básica dos estudos de Freud sobre a importância do passado no presente e no futuro de todos os seres humanos. Mas não conseguiram. E "Amor à Vida" foi uma boa reflexão sobre isso: em boa parte, não somos os únicos responsáveis pela construção de nossas personalidades. O entorno familiar é capaz de destruir o lado Bom de um ser humano e o jogar no lado Mau, como única arma para enfrentar a rejeição e o desprezo dos pais.
DESTRUIÇÃO DE UM FILHO
A personagem "César" na novela mostra um pai que leva uma vida como a maioria dos homens leva: casado, mas cheio de mulheres. Mas, a vida de profunda entrega ao prazer do pai, convive, paradoxalmente, com uma homofobia cruel em relação à orientação sexual do filho, que prefere homens, em vez do sexo oposto. O pai humilha "Félix" desde criança e não perde uma oportunidade de lembrar ao filho que PREFERIA QUE ELE NÃO TIVESSE NASCIDO. O efeito devastador de uma afirmação dessa só pode ser avaliado por um profissional da área psicológica ou pela própria vítima do preconceito. Saindo de casa num clima de anulação de sua personalidade, "Félix" não encontra forças para lutar contra o mesmo preconceito nas ruas e vê como única saída para enfrentar a selva que é o mundo, a adesão ao "lado negro da Força", parodiando George Lucas em sua "Guerra nas Estrelas".
O dramaturgo Walcir Carrasco foi muito feliz na construção da personagem "Félix", modelando o ódio que um filho desprezado pode ter pelo mundo ao seu redor se não encontra nenhum amor em casa. E mais correto foi ainda mostrando a personagem do pai, "César", como um devasso sexual que não permite ao filho ter uma orientação sexual diferente da sua, repetindo a máxima de que "POR TRÁS DE UM PRECONCEITUOSO HÁ SEMPRE UM DEVASSO".
PARABÉNS À GLOBO!
Agora, embora combatida por uma certa elite intelectual, temos que registrar que somente a Globo poderia exibir um folhetim como este. Tão denso, TÃO CHEIO DE VIDA REAL. Nenhum personagem é totalmente bom, nenhum é totalmente mau, como, aliás, acontece NAS NOSSAS VIDAS.
Walcir Carrasco não economizou em nenhum dos preconceitos que a sociedade alimenta em nós, o que também só a Globo poderia ter dado liberdade a um autor para fazê-lo: tem mulheres idosas que se apaixonam por jovens sensuais, tem médico que se envolve com enfermeiras, tem casal de idosos que resolvem retomar a vida sexual, tem gente com AIDS, tem gente que começou bandido(a) na novela e terminou bandido(a), como as personagens "Dra. Amarilis" e "Dr. Jackson", pois Walcir mostrou que NEM TODO SER HUMANO PERSEGUE A REDENÇÃO, muitos gostam mesmo de viver do "lado negro da Força". Há até um drama que foge às fronteiras brasileiras, dando um ar de extraterritorialidade corajosa, ao mostrar o amor de uma médica judia por um médico árabe-palestino que fez atentados terroristas contra Israel.
Repito, só a Globo tem coragem de enfrentar a ignorância mediana do público brasileiro e mostrar que a TOLERÂNCIA é, enfim, a mais edificante das humanas características, como dizia John Locke.
* tonY Pacheco é jornalista-radialista formado pela UFBA, psicanalista formado pela SPOB e estudou Economia nas universidades federais de Juiz de Fora e Bahia.
6:46 - 01.02.2014 - Sábado
tONY pACheco*
"Amor à Vida" mostra que pais podem criar filhos-monstros
(na Rede Globo, ontem e hoje, 21 horas)
O beijo na boca entre dois homens na novela "Amor à Vida", sem dúvida é um marco na capacidade de inspirar tolerância que uma obra de arte pode ter, mas para lá do simbolismo sociológico e antropológico, a mensagem fundamental da novela gira em torno da CAPACIDADE DE REDENÇÃO das personagens principais, vividas pelo ator Mateus Solano (o "Félix") e "Dr. César", o médico pai de "Félix", vivida pelo co-protagonista Antonio Fagundes. A relação entre os dois também deixa uma mensagem clara: BOA PARTE DOS MONSTROS DO MUNDO SÃO CONSTRUÍDOS PELOS PAIS DENTRO DE CASA.
Não é preciso ser freudiano (Sigmund Freud, "Pai da Psicanálise") para entender que se os pais não dão amor, atenção, inspiração e uma base sólida aos filhos, elevando sua auto-estima, os filhos com certeza não terão forças para enfrentar as dores do mundo. Muitas correntes da Psicologia, da Psiquiatria e da Psicanálise quiseram desmontar a premissa básica dos estudos de Freud sobre a importância do passado no presente e no futuro de todos os seres humanos. Mas não conseguiram. E "Amor à Vida" foi uma boa reflexão sobre isso: em boa parte, não somos os únicos responsáveis pela construção de nossas personalidades. O entorno familiar é capaz de destruir o lado Bom de um ser humano e o jogar no lado Mau, como única arma para enfrentar a rejeição e o desprezo dos pais.
DESTRUIÇÃO DE UM FILHO
A personagem "César" na novela mostra um pai que leva uma vida como a maioria dos homens leva: casado, mas cheio de mulheres. Mas, a vida de profunda entrega ao prazer do pai, convive, paradoxalmente, com uma homofobia cruel em relação à orientação sexual do filho, que prefere homens, em vez do sexo oposto. O pai humilha "Félix" desde criança e não perde uma oportunidade de lembrar ao filho que PREFERIA QUE ELE NÃO TIVESSE NASCIDO. O efeito devastador de uma afirmação dessa só pode ser avaliado por um profissional da área psicológica ou pela própria vítima do preconceito. Saindo de casa num clima de anulação de sua personalidade, "Félix" não encontra forças para lutar contra o mesmo preconceito nas ruas e vê como única saída para enfrentar a selva que é o mundo, a adesão ao "lado negro da Força", parodiando George Lucas em sua "Guerra nas Estrelas".
O dramaturgo Walcir Carrasco foi muito feliz na construção da personagem "Félix", modelando o ódio que um filho desprezado pode ter pelo mundo ao seu redor se não encontra nenhum amor em casa. E mais correto foi ainda mostrando a personagem do pai, "César", como um devasso sexual que não permite ao filho ter uma orientação sexual diferente da sua, repetindo a máxima de que "POR TRÁS DE UM PRECONCEITUOSO HÁ SEMPRE UM DEVASSO".
PARABÉNS À GLOBO!
Agora, embora combatida por uma certa elite intelectual, temos que registrar que somente a Globo poderia exibir um folhetim como este. Tão denso, TÃO CHEIO DE VIDA REAL. Nenhum personagem é totalmente bom, nenhum é totalmente mau, como, aliás, acontece NAS NOSSAS VIDAS.
Walcir Carrasco não economizou em nenhum dos preconceitos que a sociedade alimenta em nós, o que também só a Globo poderia ter dado liberdade a um autor para fazê-lo: tem mulheres idosas que se apaixonam por jovens sensuais, tem médico que se envolve com enfermeiras, tem casal de idosos que resolvem retomar a vida sexual, tem gente com AIDS, tem gente que começou bandido(a) na novela e terminou bandido(a), como as personagens "Dra. Amarilis" e "Dr. Jackson", pois Walcir mostrou que NEM TODO SER HUMANO PERSEGUE A REDENÇÃO, muitos gostam mesmo de viver do "lado negro da Força". Há até um drama que foge às fronteiras brasileiras, dando um ar de extraterritorialidade corajosa, ao mostrar o amor de uma médica judia por um médico árabe-palestino que fez atentados terroristas contra Israel.
Repito, só a Globo tem coragem de enfrentar a ignorância mediana do público brasileiro e mostrar que a TOLERÂNCIA é, enfim, a mais edificante das humanas características, como dizia John Locke.
* tonY Pacheco é jornalista-radialista formado pela UFBA, psicanalista formado pela SPOB e estudou Economia nas universidades federais de Juiz de Fora e Bahia.
segunda-feira, 27 de janeiro de 2014
ORLA DA BARRA: 57 MILHÕES. ORLA DE PARIPE: 3 MILHÕES. POR QUE A DIFERENÇA?
JORNAL COMENTADO 177
10:06 – 27.01.2014 – Segunda-feira
tonY PACheco*
“Começa a requalificação da orla da Barra, que vai custar R$57 milhões”
(www.bahiaeconomica.com.br, site de Armando Avena)
“São Tomé de Paripe terá orla como a da Barra” / “O investimento total será de R$3,4 milhões” / "A pavimentação será igual à da Barra...”
(jornal “Correio”)
Faremos o menor Jornal Comentado dos 176 feitos até agora. Neste número 177 deixaremos apenas esta pergunta no ar: se a Prefeitura está garantindo que tudo o que for feito na orla da "chiquerésima" Barra será feito na orla de São Tomé de Paripe, inclusive, “A pavimentação será igual à da Barra”, por que então uma obra custará R$57 milhões e a outra míseros 3 e meio milhões?
Agora, uma palavrinha aos coleguinhas de jornais, rádios, TVs, sites e blogs: ninguém aí nas redações ficou curioso com a disparidade monstruosa de custos? O que haverá numa obra para custar 16 vezes mais do que a outra?
Em cima: nova orla da Barra. Embaixo: nova orla de Paripe.
trilha sonora: "Se essa rua fosse minha"
(cancioneiro popular brasileiro)
“Se esta rua, se esta rua, fosse minha
Eu mandava, eu mandava, ladrilhar
Com pedrinhas, com pedrinhas de brilhantes
Só pra ver, só pra ver meu bem passar.”
*Tony PacheCO é jornalista-radialista profissional formado pela UFBA. Estudou Economia nas universidades federais de Juiz de Fora e da Bahia, e Psicanálise na Sociedade Psicanalítica Ortodoxa do Brasil (SPOB), uma entidade pra lá de conservadora e cheia de evangélicos.
quarta-feira, 22 de janeiro de 2014
PERGUNTA QUE NÃO QUER CALAR: POR QUE A CAPITANIA DOS PORTOS DEIXA FERRY-VELHO NA BAÍA DE TODOS OS SANTOS?
Foto do "Jornal da Mídia", capturada de imagem da "Rede Record", mostra a tosqueira máxima: corda de um ferry-velho puxando o outro ferry-velho.
JORNAL COMENTADO 176
8:39 – 22.01.2014 - Quarta-feira
tonY PaCheco*
“Empresária cita tripulante e diz que ferryboat “Pinheiro” é uma bomba-relógio”
(jornaldamidia.com.br)
A matéria do “Jornal da Mídia” coloca o governador Wagner (PT-BA) e a concessionária “Internacional Marítima” nos seus devidos lugares, quais sejam, de responsáveis diretos pelo caos no sistema ferry-boat que liga Salvador à Ilha de Itaparica e também aos destinos turísticos mais famosos da Bahia: Morro de São Paulo, Ilhéus e, seguindo pela BR-101, também Porto Seguro.
O governo atual, contudo, está longe de se interessar ou ENTENDER a importância estratégica do ferry-boat. Parece que o interesse é FAZER UMA PONTE. Esgarçar esta corda do ferry até ela estourar e justificar uma ponte que, tal como a Arena Fonte Nova, dizem poderá ser mais uma daquelas obras PRA EMPREITEIRO passar de milionário a BILIONÁRIO e pra político aposentar-se de vez. Mas isso pode não ser verdade, pode ser só calúnia da oposição...
E por falar em corda, vamos falar de um ator desta ópera bufa pouco lembrado: a CAPITANIA DOS PORTOS, órgão do Ministério da Defesa (Marinha).
Olha que imagem, um ferry puxando o outro na Baía de Todos os Santos com uma corda. Sim, o ferry “Juracy Magalhães” puxando o ferry “Pinheiro” com uma corda.
Pergunta-se à Capitania: isto é PADRÃO de rebocar equipamentos do porte do ferry-boat?
Do alto de nossa ignorância achávamos que a concessionária teria que contar com um REBOCADOR sempre À DISPOSIÇÃO pra estas emergências, que deixaram de ser emergências, pois ocorrem à toda hora. E por que a Marinha permite que as concessionárias (não só a atual da terra dos Sarneys, mas todas até hoje) operem sem um rebocador que tenha capacidade de intervir em caso de crises???
Precisa de um ferry-velho (sim, Alex Ferraz, estou imitando seus trocadilhos...) puxando o outro, jogando corda no meio da Baía de Todos os Santos?
QUÊ TOSQUEIRA É ESSA, DONA CAPITANIA DOS PORTOS?
Pensávamos que a Capitania era A AUTORIDADE MARÍTIMA na Baía de Todos os Santos, mas, pelo visto, não é.
Pessoas e automóveis num ferry-velho sendo puxado por outro ferry-velho, como se vidas e propriedades não tivessem a menor importância.
E, aí, fica mais uma dica aos coleguinhas: coloquem os almirantes na linha de fogo. Entrevistem, queiram saber o porquê de tanta indiferença se quem manda no mar é a Marinha. Claro que não se deve esquecer o governador Wagner, o vice Otto Alencar e os dirigentes da Internacional Marítima. Eles são os RESPONSÁVEIS DIRETOS, mas a Capitania dos Portos, PERMITINDO este descalabro que é navios que NÃO PODEM navegar NAVEGANDO, é, em última instância, o responsável maior, pois já deveria ter mandado APREENDER todos os ferries-velhos. Ou não? Ou baiano merece mesmo é ser ESCULACHADO até arrebentar a corda, literalmente?
* tonY Pacheco é jornalista-radialista formado pela UFBA, registro 966 no Ministério do Trabalho.
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